Poliana abriu a própria empresa após entrar na Inventivos
Poliana abriu a própria empresa após entrar na Inventivos

Protagonista da história: Poliana Queiroz

Cidade: Cuiabá – Mato Grosso

Quando entrou na Inventivos: Novembro de 2021

Já tinha um negócio quando ingressou na Inventivos: não

Nome da empresa: Nós Certificadora

Inventivos: Poli, qual a sua história?

Poliana: Eu sou a Poliana, de formação, cientista social, tenho mestrado em antropologia, Eu tenho uma vasta vida acadêmica e depois de um tempo eu comecei a trabalhar em um ambiente privado e descobri que aquilo não era nada que eu queria fazer e, hoje, eu estou empreendendo.

Como surgiu a sua ideia de negócio?

Tem a ver com a minha história, a lógica da origem da minha família sempre trabalhar muito, no sentido de: eu nunca vi minha mãe, nem meu pai, em casa quando eu era criança. Eles sempre estavam muito cansados, tinham pouca disponibilidade e lazer e eu fui internalizando isso ao longo da vida: trabalhar, trabalhar, trabalhar. Minha mãe atuava como doméstica na casa de outras pessoas e meu pai era marceneiro. 

Quando eu entrei no serviço celetista, eu comecei a reproduzir essa lógica. Meus pais eram trabalhadores braçais, não tiveram oportunidade. Mas eu, que já tinha passado pela universidade, estava passando pelas mesmas situações. Eu comecei a questionar: tinha alguma coisa errada com aquilo. E essa coisa do trabalho digno e da diversidade foi algo que me perseguiu ao longo da minha história. Porque eu via essa questão, acompanhei os meus pais nos trabalhos deles e via as violências às quais eles eram submetidos, e também as violências que eu era submetida nas instituições que eu trabalhava.

Foi aí que eu entendi que poderia fazer disso um negócio. Capacitar essas pessoas nesses ambientes, para que outras não precisassem mais sofrer por essas questões.

Eu trabalhei em uma instituição em que eu era gestora de projetos. E mesmo em um ambiente em que meu instrumento de trabalho era o computador, eu fazia a gestão de 17 projetos. Não era trabalho físico, mas era um trabalho intelectual exaustivo.

E quanto mais eu entregava, mais eu tinha que entregar. Era uma coisa da produtividade máxima. Diziam: “nossa, você é muito inteligente: faz mais isso aqui”. E aí eu ia aceitando, aceitando, aceitando, até chegar o momento que me desestabilizou emocionalmente, inclusive. 

E eu entendi que isso também não era trabalho decente. Não é pelo fato de eu estar em um ambiente climatizado, computador e com os auxílios que o CLT proporciona, que eu estava desfrutando ali de um trabalho decente. Fora o ambiente. Por exemplo: eu era a única mulher negra e comecei a observar e questionar: por que as outras pessoas têm menos projetos? Por que eu preciso ganhar menos e trabalhar mais? 

E por que você decidiu entrar na Inventivos?

Eu já feito diversos cursos de empreendedorismo, e no âmbito da gestão de projetos — que é a minha especialidade —, eu já tinha entrado em contato com diversas ferramentas, que eu também encontrei na Inventivos. Mas a metodologia Inventivos, esse senso de comunidade e acolhimento, foi algo que me impressionou e me tocou. 

Na época, eu não conhecia Monique Evelle, mas quando a vi falando que a gente precisava construir o mundo que a gente quer viver, isso despertou uma coisa em mim:

– Poxa, tem gente fazendo o que eu quero fazer e tá vivendo bem aí.

E aí eu fui pesquisar mais sobre a Inventivos, entender o processo. E eu assiti uma live no YouTube. Foram três dias de aula e aqui foi incrível pra mim, porque despertou tudo que estava aqui dentro e eu não sabia nomear.

Não pensei duas vezes pra me inscrever no curso e quando entrei na plataforma, me dei conta que era aquilo mesmo que foi dito e que eu precisava.

Demorei um pouco para aplicar, porque eu ainda estava no CLT, no processo de pedir demissão.

Mas fui vendo as aulas. Primeiro a coisa do autoconhecimento, saber o que a gente quer primeiro, depois descobrir nossa habilidade. Aquela apostila que vocês mandam, eu preenchi tudo e isso me ajudou a tomar a decisão. E aí veio a grande virada.

Eu morava numa cidade do interior e me mudei para a capital, para Cuiabá. Pedi demissão e fiz a mudança, já vendendo meus serviços. Nesse período, eu já estava consultora, com MEI, prestando serviços.

Mas o que eu queria de verdade era a minha empresa. E aí eu me aproximei dos mentores da Inventivos e comecei a usar tudo que a plataforma me oferecia.

Fui tirando dúvidas, desenhando, queria focar no trabalho digno, que tem a ver com minha história, minha ancestralidade e aí eu consegui desenhar a minha empresa e hoje, já tenho ela formatada.

Uma coisa importante: eu tentei fazer tudo sozinha e tava ficando frustrada, aí chamei duas parceiras para montar a empresa que eu tenho hoje.

Conta sobre a sua empresa: qual problema ela resolve e qual solução ela oferece?

Existem empresas que se configuram como ambientes com ausência de diversidade, com alta cobrança de gestão em produtividade, que não são saudáveis ou diversos. Isso impacta na saúde mental das pessoas e na retenção de talentos, por exemplo.

A Nós Certificadora é uma empresa certificadora de atividade antirracista e trabalho decente. 

Nossa solução é a implementação de atividades antirracistas em ambientes corporativos. São consultorias, treinamentos e certificação, que no total dura entre 4 e 6 meses de trabalho.

Como estava sua vida antes e como ficou depois da Inventivos?

Antes da Inventivos eu estava pulando de galho em galho buscando curso de empreendedorismo que me fizesse ter essa coragem de mudar. Porque eu tinha um incômodo, uma angústia, e eu não sabia como fazer. E nenhum curso desses de empreendedorismo — que eu procurei e que eu fiz —, me encorajou a tomar a decisão de mudar de cidade e fazer a minha própria história.

E quanto mais eu entregava, mais eu tinha que entregar. Era uma coisa da produtividade máxima. Diziam: “nossa, você é muito inteligente: faz mais isso aqui”. E aí eu ia aceitando, aceitando, aceitando, até chegar o momento que me desestabilizou emocionalmente, inclusive. 

Eu entendi que eu trabalho que eu realizava não tinha como pré-requisito deixar que o outro sugasse minhas energias. Mas antes de entrar na Inventivos, eu me sentia perdida. Fazia muitos cursos, mas nada era pra mim. eu tinha até preconceito com a palavra empreendedor. pra mim tava ligado à escassez, à vulnerabilidade, achava que estava ligado a aceitar qualquer coisa. E os cursos que eu fazia antes não me diziam que era outra coisa, não.

E quando eu entendi na Inventivos eu me senti acolhida. A coisa do autoconhecimento foi fundamental. De usar as ferramentas de gestão com a gente. Essa virada de chave veio com a Inventivos.

De entender que é possível, de saber como fazer dar certo, aprender como entrar em contato com cliente no LinkedIn. Por exemplo, eu morria de vergonha de fazer isso. Eu pensava: “o cara é presidente da instituição, quando ele vai falar comigo?! Nunca”. E o cara me respondeu essa semana, passando o contato do RH. Eu nunca imaginei que isso fosse acontecer.

Dentro da Inventivos, tem um processo que passa pela subjetividade, que passa pelo acolhimento individual — que eu acho fantástico — e quando você coloca em prática, tem um resultado.

Não é só paixão: tem técnica. Na Inventivos eu tive o instrumental. Aqui no Mato Grosso, ninguém faz o que minha empresa faz. Tem muita gente nos procurando.

Como escrever um e-mail, como se posicionar no LinkedIn.

Hoje a gente realiza reuniões semanais com interessados. A depender da semana, são reuniões diárias. Com instituições públicas e privadas. Estamos prospectando para o ano que vem, por conta da proximidade do fim do ano.

Nesse processo com a Inventivos, a nossa segurança foi construída para apresentar a nossa proposta e realizar o nosso trabalho. Por exemplo, nós alugamos um escritório porque as respostas têm sido positivas pra nós.

Hoje, além da minha empresa, eu faço consultorias e fui convidada para dar aula. Mas as oportunidades que estão surgindo são frutos do meu processo com a inventivos, porque eu aprendi a me posicionar profissionalmente. Eu aprendi, por exemplo, o que eu preciso falar nos ambientes que eu estou para me abrir portas e aproveitar novas oportunidades.

Quais aulas da Inventivos mais te ajudaram na sua jornada empreendedora?

São quatro.

A aula sobre prospecção de clientes, com a Mary Cerqueira, de ter 10 contatos e marcar reuniões de 15 minutos. Isso foi o que mais deu certo pra gente no âmbito da rede social. A gente sempre sai com a reunião marcada. E isso é coisa que a gente não imagina que funciona, porque a gente não aprende isso na escola.

Isso inclusive me lembra que uma vez eu ouvi o cantor Djonga dizendo que “a gente não é educado para ser dono de nada”. Isso também me fez dizer pra mim mesma: agora vai!

As aulas de autoconhecimento do Gabriel Leal. Que é como usar ferramentas de gestão na nossa vida.

A aula do Lucas Santana, que falou sobre a apresentação da empresa, como definir onde a gente quer chegar, como construir missão, visão e valores. A gente tem isso no nosso portfólio e já identificou que são poucas empresas que apresentam isso. Geralmente elas só querem vender.

E a aula “Como contar boas histórias e encantar clientes”, com Guilherme Belarmino. Hoje, quando vamos fazer nossa apresentação, falamos de onde nós saímos, como identificamos o problema. A gente tem a parte da história que envolve as pessoas. E antes eu acreditava que contar história era uma coisa inata. E não: tem técnica. E eu uso toda hora agora.

Qual é a dica que você dá para quem tem vontade de empreender?

Você precisa fazer parte e se permitir e entender que é um processo de aprendizado. E sendo um processo, tem fases e as coisas não vão chegar prontas.

Quando você chegar na Inventivos, primeira procura o que você está precisando muito e depois, busque os conteúdos, busque os mentores, use tudo que a plataforma te oferece, para que você possa desenvolver sua jornada.

3 respostas

  1. Fantástico! Daquelas mensagens que nos impulsionam a seguir e contém muitas dicas interessantes!

  2. Obrigado por compartilhar um pouco da sua história, Poliana. Que sua atuação e de sua empresa possa melhorar e fortalecer o mercado de trabalho para ser mais diverso e antiracista.

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